O big data é o novo petróleo

Fundador de um instituto de futurologia, Peter Kronstrom afirmou que o conhecimento é a moeda mais valiosa da nova sociedade

Por Bárbara Sacchitiello

Encontrei esta matéria da Bárbara Sacchitiello no site Meio&Mensagem. Como o tema é super interessante resolvi publicar aqui no nosso blog também. Semana que vem volto com mais textos! 

Porta-voz de um instituto de futurologia, Peter Kroström subiu ao palco do primeiro dia do MaxiMídia já quebrando as expectativas de quem imagina ouvir sólidas previsões para os novos tempos. “O futuro não existe. Nós que temos a responsabilidade de cria-lo diariamente”, disse o head do Copenhagen Institute for Futures Studies no Brasil e na América Latina.

O palestrante foi o convidado pela Editora Abril para apresentar um pouco daquilo que seu instituto, especializado em tendências e comunicações globais, esperam do Brasil para os próximos anos. Após a introdução de Alexandre Caldini, Peter Kronström iniciou o painel Uma Visão de Futuro através do Megatrend, relatando como a instituição dinamarquesa tenta mapear os próximos passos da humanidade e, ao contrário do que se podia esperar, trouxe previsões otimistas para os brasileiros, mesmo considerando o atual momento econômico.

“O futuro da comunicação e do desenvolvimento humano é paradoxal e muito dinâmica. O Brasil e os demais países emergentes têm essa característica de se adaptar rapidamente aos novos ciclos. Isso é muito mais positivo do que a posição das economias escandinavas, por exemplo, que por estarem sempre ilesas à crise acabam ficando de fora do mundo real”, comparou o palestrante.

Classificando nosso tempo atual como a era da sociedade do conhecimento, Peter não hesitou em colocar o smartphone como o terceiro mais importante elemento da evolução humana, atrás do fogo e da roda. A conexão ininterrupta e instantânea entre todos os indivíduos traz, segundo ele, uma revolução em todos os paradigmas da indústria e da sociedade, afetando diretamente os negócios de cada nação. Para ele, já passou da hora de a indústria de comunicação substituir os 4Ps (os alicerces básicos dos estudos de marketing) para outras palavras de ordem: solução, valor, acesso e educação.

Aos presentes, ele apresentou o conceito de Anarconomy, a palavra que seu instituto dinamarquês escolheu para denominar a economia paralela que já vem se desenvolvendo, estruturada totalmente nas novas tecnologias. “O big data é o novo petróleo do mundo. É a coisa mais valiosa que temos. Mas de nada adiante ter algo assim e não saber exatamente como usá-lo e aplicá-lo”, frisou. Segundo as previsões de seu instituto, em breve, a internet das coisas será algo onipresente e totalmente interligada, quebrando os antigos segmentos econômicos e até mesmo sociais. Os “megatrends”, como ele denomina as mais importância tendências de comportamento que deverão durar de 10 a 15 anos, são totalmente conectadas às inovações tecnológicas e a capacidade da sociedade interagir e se comunicar por meio de devices e novas tecnologias.

Embora seja totalmente imprevisível captar as próximas movimentações do comportamento humano em um cenário constante de mutação, Peter é otimista em relação à capacidade de adaptação das pessoas. Para ele, a consciência mais colaborativa, a diversidade e a abertura para novas visões já vem se mostrando mais fortes, sobretudo no Brasil, e isso deve pautar a nova sociedade de consumo. “Se fosse fazer uma previsão econômica para o Brasil, possivelmente apostariam em uma estagnação. Mas não podemos esquecer que muitas empresas e ideias continuam crescendo muito e que, o tempo todo, novidades vêm surgindo”, declarou.

Para exemplificar o atual ritmo de dinamismo da comunicação atual, Peter fez um paralelo entre a difusão do telefone e de um dos aplicativos de maior sucesso da atualidade. “A telefonia fixa demorou 75 anos para atingir um público de 50 milhões de usuários. O aplicativo Angry Birds conseguiu isso em 35 dias”, analisou. “As mudanças são profundas. Mas serão boas e conseguiremos nos adaptar a elas”, enfatizou.