O que o feminismo, as questões de gênero e raciais têm a ver com a comunicação da sua empresa?

Com a explosão das redes sociais, um grande reforço nas atitudes politicamente corretas parece ter intensificado o fenômeno do consumo consciente. Mais do que isso: não basta produzir de forma sustentável, manter uma fundação para ações sociais, ou comprovar anualmente a conduta ética da empresa. Há que se assumir as próprias posições ante um mundo sempre mais preocupado com as questões de gênero, comprometido com as políticas afirmativas.

Não é de hoje que a economia e seus agentes vêm se aproximando cada vez mais de temas ligados a responsabilidade social e sustentabilidade. Ao redor do mundo, empresas têm buscado atender aos anseios de um mercado sempre mais desejoso de posicionamentos voltados para o bem-estar na moderna sociedade. O termômetro tem sido as Bolsas de Valores, como já dito anteriormente aqui no blog (relembre).

É como se existisse um despertar do consumidor para a responsabilidade de suas escolhas. A compra de um tênis que não tenha sido fruto da exploração do trabalho infantil na Indonésia. O uso de uma marca que não contribua para o reforço de estereótipos e a opressão das minorias.  O consumo de alimentos que não provenham de monoculturas e da destruição de inteiros ecossistemas. Uma escolha consciente, de quem não está interessado somente no preço dos produtos, claro.

Com a explosão das redes sociais, um grande reforço nas atitudes politicamente corretas parece ter intensificado esse fenômeno do consumo consciente. Mais do que isso: não basta produzir de forma sustentável, manter uma fundação para ações sociais, ou comprovar anualmente a conduta ética da empresa. Há que se assumir as próprias posições ante um mundo sempre mais preocupado com as questões de gênero, comprometido com as políticas afirmativas.

A Boticário entendeu isso quando lançou a polêmica campanha “Um dia dos namorados para todas as formas de amor”, vencedora do Grand Effie (prêmio máximo) no Effie Wards Brasil 2015, onde casais de diferentes orientações sexuais trocam presentes. Bem menos polêmica, mas na vanguarda – falo do início dos anos 2000 –, a Dove, da Unilever, já vinha pautando suas campanhas publicitárias no reforço à autoestima feminina e combate aos estereótipos, posicionamento explícito no mais recente vídeo “Beleza fora da caixa”.

A própria Beyoncé, fenômeno da maior indústria fonográfica do mundo, gritou recentemente contra o racismo, no clipe mais político de sua carreira, o “Formation”. Na carona, como figurino, a pop star trouxe em seu vídeo duas importantes grifes da alta costura, Gucci e Chanel. As duas marcas já levantavam há algum tempo discussões sobre o gênero na moda e o empoderamento feminino.

Um caminho sem volta, por se tratar de uma mudança cultural em curso ao redor do mundo, essa mobilização em prol do consumo consciente está longe de ser uma unanimidade. Afinal, nem todos os consumidores estão imbuídos desse mesmo sentimento. Mas é já um passo importante na nossa evolução histórica, que tem nos presenteado com campanhas publicitárias arrebatadoras. A vida em sociedade e a comunicação agradecem!

 

*Mara Rocha é jornalista formada pela UFBA, com  Master em Media Relations pela Business School do Sole 24 ORE de Milão, Itália. Escreve para o blog às segundas-feiras.