A comunicação empresarial sobe o morro

Ações de comunicação adequadas voltadas para a “Classe C” garantem o sucesso das empresas

Por Sara Manera

A nomenclatura mudou, a publicidade se adaptou e as empresas foram para as periferias e bairros populares para tentar atrair uma fatia considerável do mercado consumidor, que começou a ter voz porque podia pagar. Com o arrefecimento econômico o consumo caiu e atualmente se celebra cada vez menos a revolucionária “classe C”. Estes consumidores seguem consumindo, em menor quantidade, sem dúvida, mas continuam querendo viajar, comprar apartamentos e carros, fazer aulas de inglês e usar a roupa da moda.

Meses atrás o dono de uma clínica popular nos procurou porque queria divulgar a nova unidade e um mundo novo se descortinou à nossa frente. É uma riqueza trabalhar com públicos-alvo diferentes, pois é um desafio estudar as características de cada um deles, as ações, estratégias e canais de comunicação a serem adotados. Mas se comunicar com um público popular é diferente? Em minha opinião sim, simplesmente pelo fato dele ter características, aspirações e uma história diferente dos outros. Hoje os consumidores classificados como sendo da “classe C” não são mais a “menina dos olhos” de muitas empresas, porém deveriam continuar sendo, já que a crise vai passar e esta pode ser a hora de firmar o nome da empresa neste mercado vastíssimo.

Comunicar-se com o público popular passa necessariamente pelo ajuste em relação à linguagem, modificação das embalagens para conter quantidades menores (o que facilita a compra mesmo para quem tem um poder de aquisição mais baixo), distribuição, pontos de venda, entre outros. Isso não significa, absolutamente, falta de qualidade nesta comunicação ou nos serviços e produtos ofertados. Porque não patrocinar o concurso Miss Cajazeiras? Divulgar sua empresa na rádio-poste do IAPI, sinalizar a rua da clínica em Mussurunga ou colocar sua marca no saco do pão da melhor padaria do Rio Sena?

As possibilidades são enormes e os ganhos também. Além disso, as periferias são super conectadas. Todo mundo tem smartphone, acessa o Facebook e o Snapchat, as pessoas conversam e consomem pelo Whatsapp, compram de tudo por E-commerce, fazem cursos online. Porém, muitas empresas não vêem as possibilidades e o potencial para divulgar mais e melhor seus produtos. Todos os dias acontecem revoluções nas imensas periferias brasileiras, que raramente são notícia pelos aspectos positivos, e onde a comunicação é chave. As empresas podem ver as periferias como uma mina de ouro, mas aqui não existe mais lugar para estereótipos, existe, sim, espaço para desenvolver uma comunicação eficiente, de qualidade e com respeito.

Sara Manera é jornalista com MBA em Gestão de Projetos pelo Senai-Cimatec. Escreve para o blog às sextas-feiras.