Gestão familiar: a comunicação é a chave do negócio

Tio, primo, irmão, madrinha, gato, cachorro e periquito. Todos na mesma empresa da família. Tem como isso funcionar, livre daquelas eternas lavagens de roupa suja? Sim, mas a comunicação e a transparência nas relações dentro da empresa precisam vir em primeiro plano.

Por Mara Rocha


Estava aqui lendo um artigo do expert em Family Business Eduardo Najjar sobre empresas de gestão familiar e refletindo acerca de alguns cases dos quais tenho conhecimento. Interessante como em todos os exemplos que me vieram em mente, fossem eles de sucesso ou fracasso, a importância atribuída à comunicação interna teve sempre papel crucial no desempenho dos negócios. Explico.

Segundo estatísticas, menos de 15% das empresas familiares chegam à terceira geração. Ou seja, de 100 organizações criadas quando nossos avós ainda eram jovens empreendedores, na melhor das hipóteses apenas 15 resistiram e hoje são geridas pelos netos, nossos coetâneos. E o que motiva esse fenômeno? Na maioria dos casos os conflitos familiares não resolvidos, perpetrados pela pouca ou completa ausência de comunicação e transparência entre as partes envolvidas.

Os conflitos, como quase tudo que envolva poder e dinheiro, já se pode imaginar quais são: disputa por sucessão, partilha de capital, status, querelas entre os familiares… Dessa novela, nenhuma gestão familiar está livre (afinal, parente é tudo igual, só muda de empresa). O diferencial, no entanto, fica para as organizações que, com profissionalismo, implementaram ações para prevenção e soluções desses problemas dentro da empresa.

Por meio de uma comunicação institucional eficaz, como ressalta Najjar, onde todos os pontos de vista dos envolvidos são expressos claramente e há certa abertura para discussão das tomadas de decisão, a tendência é construir um modelo de gestão de sucesso, que servirá de exemplo às próximas gerações de gestores. Não esquecer que a transparência na conduta dos familiares envolvidos, bem como das informações acerca da empresa, conta positivamente nessa comunicação.

Quanto aos instrumentos de comunicação, valem desde as reuniões corporativas regulares às publicações periódicas, como as newsletters e jornais institucionais, onde são transmitidos repetidamente valores e conduta empresarial. O importante é que, independentemente do tamanho da empresa, a comunicação seja sempre encarada como um dos ingredientes fundamentais para o sucesso dos negócios, jamais como a cereja ornamental.

 

*Mara Rocha é jornalista formada pela UFBA, com  Master em Media Relations pela Business School do Sole 24 ORE de Milão, Itália. Escreve para o blog às segundas-feiras.