Marketing rural e comunicação no agronegócio: O pulo do gato

A conquista por corações e mentes já começou faz tempo e, também faz tempo, que ela chegou ao campo. Está na fazenda de gado de corte no recôncavo, na empresa de pesquisa de agropecuária, na indústria de transformação de alimentos da chapada, nos campos de algodão e soja do oeste, na bacia leiteira na região de Itapetinga.

Por Sara Manera

Na conquista vale tudo, mas prefiro ficar do lado daqueles que trabalham com as armas de sempre: competência, profissionalismo, ética e resultado! A produção baiana de grãos na safra 2014/2015 alcançou 8,1 milhões de toneladas, 5,3% superior à safra passada, somos o quarto maior produtor de café do Brasil, respondemos por 60% da produção nacional de cacau e temos um rebanho bovino de 10,8 milhões de cabeças, o oitavo maior do país, segundo dados da Seagri. A agroindústria é quem, apesar de secas e reviravoltas na economia, tem mantido padrões de crescimento.

Neste mercado o pensamento é mais voltado para o produto, o palpável, e a construção de ideias mais subjetivas acabam não tendo devida atenção. É aqui o pulo do gato! O agronegócio na Europa e nos Estados Unidos investe pesadamente em marketing para seus produtos e marcas específicas. Nem é preciso ir longe. Quem não conhece o café colombiano?

E no Brasil, o que os produtores estão fazendo? O suco de laranja e a carne bovina brasileiras são conhecidas internacionalmente, fruto do esforço conjunto e coordenado, mas o desafio é fazer com que a comunicação e o marketing trabalhem para melhorar e aumentar as vendas das pequenas e médias empresas. Como em alguns setores da economia, a comunicação ainda é vista como um luxo. Felizmente esta ideia vem sendo abandonada e uma nova gestão, mais estratégica e profissional, consegue enxergar a necessidade e, sobretudo, as vantagens de uma boa comunicação com seus públicos e clientes.

Crescimento, diferenciação, conquista de mercados, fortalecimento de imagem, construção de reputação, reposicionamento no mercado, maior presença online e nas redes sociais, comunicação eficiente on e offline são metas que a comunicação integrada pode fazer por empresas de qualquer porte. O agronegócio só tem a ganhar com um trabalho de comunicação bem realizado e é através destas iniciativas que ele pode se destacar.

Há uma década, produtos orgânicos, locais, de economia solidária, sustentáveis, ecologicamente corretos, denominação de origem controlada ainda não faziam parte do vocabulário e das preferências dos consumidores. Agora esta é uma realidade cada vez mais presente e com isso surgem novos nichos, com novas demandas e expectativas. Outro dia, um parente no exterior me contou que encontrou no supermercado geleia de umbu da minha região. Imagina o meu orgulho como catingueira e o esforço de comunicação necessário para este produto atravessar o Atlântico. O agronegócio deve multiplicar seu papel transformador, com responsabilidade e sem demora!

Sara Manera é jornalista com MBA em Gestão de Projetos pelo Senai-Cimatec. Escreve para o blog às sextas-feiras.